sábado, abril 26, 2008


Assisti ontem ao show "Inclassificáveis" do Ney Matogrosso, no Canal Brasil. Como já havia comentado com o colega Elias, Ney é um dos únicos músicos da atualidade no Brasil que levam faz algo de qualidade. Esse show é prova disso. Além da voz em ótima forma, e seu físico também, toda a estrutura estética do show chama muito a atenção. O próprio palco e, claro, o figurino.
Certa vez ele disse que sempre será transgressor, e realmente o é. Porém, em uma entrevista, disse que a caracterização para esse espetáculo nada tem que ver com o que ele fez no Secos & Molhados, é algo totalmente novo e atual. Para o hoje.
E sem falar, lógico, do repertório. Na sua turnê anterior, contava com quatro violões. Agora, com uma banda sensacional, com uma guitarra bem ativa e até um DJ. Ele canta algumas músicas do Cazuza, inclusive uma inédita, uma extraordinário de Pedro Luiz e outras também maravilhosas.
São poucos os artistas brasileiros que me fazem ficar ansioso por material novo. Ney me faz ansioso duplamente, sempre com algo inesperado e genial.

domingo, abril 20, 2008

Há problema em achar que as pessoas não se contradizem??

Há problema, sim, em querer que as pessoas achem que você é intelectual.

segunda-feira, abril 07, 2008


Um dos pintores que mais me identifico é Edward Hopper. Essa pintura, Automat (1927), tem muito a ver comigo. Interessante notar que só com a iluminação se sente a solidão nos seus quadros. Ou isso, ou somente os sós conseguem retratar e ver a solidão. Se for isso, já sei porque gosto tanto de Hopper.

segunda-feira, março 31, 2008


Eu conheci (não pessoalmente) Guillermo Arriaga ano passado no especial do Roda Viva com os escritores participantes da FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - e estava esperando o momento oportuno para comprar um livro do escritor mexicano, e a recém-encerrada promoção de frete grátis e meu bônus de R$30,00 na Saraiva se mostraram providenciais.
Ele foi o roteirista do filme Babel, que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora, e foi indicado a vários outros, inclusive o de melhor roteiro original.
O livro que comprei foi O Búfalo da Noite, que também virou filme. O romance fala de triângulo amoroso, à beira da loucura, da morte, da destruição, segundo a sinopse do site da Saraiva.
O último romance que li foi O diário do farol, de João Ubaldo Ribeiro, livro esse que meu professor de Introdução ao Direito e de Ética sempre cita nas suas literárias aulas. Acho ótimo essa comunicação do Jurídico com o literário, o poético, o artístico, enfim.
Vocês acreditam que um colega já chegou pra mim e disse: "Hooomi, perca tempo lendo esses negócios não, você num vai ganhar dinheiro nem comer ninguém com isso."
Mas fazer o que? Pra mim o Direito que veio depois, a culpa é dele. Aí percebi que o grande problema é que querem tirar a poesia do Direito, e acabam colocando o Direito na poesia. Ora por odiar o Direito, ora por odiar a poesia. O que dá, no fim das contas, é um direito sem graça, e uma paixão sem direitos . Como disse, adoro essas interrelações culturais.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Férias chegando ao fim... Segunda recomeça a velha luta. Essa semana foi um tanto cheia pra mim. Mas eu adoro isso. Ter o que fazer de manhã, tarde e noite é muito bom. Lembro-me de alguns anos atrás, quando eu vivia na rua: Colégio, curso de inglês, Tae Kwon Do, curso de informática... Sensacional!
Hoje ainda teve reunião de departamento da Faculdade. A reunião foi como todas que eu já participei: sensacional!! Estou adorando esse negócio de ser representante estudantil e ativista político da classe estudantil. Espero que o poder não me vicie e não me faça tentar a implantação de regime autoritário no Centro Acadêmico, com cargos vitalícios e hereditários.
Foi muito bom rever professores que há tempos não via, colocar os assuntos em dia, principalmente a falta de novidades na universidade. Mas, fazer o que?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Com mais de 108 mil ações, processos caseiros emperram Supremo

Um borracheiro é preso por furtar uma vaca no Rio Grande do Sul. Um homem é acusado de crime ambiental pela morte de um tatu em Minas Gerais. Dar ou não café da manhã aos funcionários da construção civil de Rondônia que chegassem com 15 minutos de antecedência. Casos que poderiam ter sido resolvidos em seus Estados, mas estão no STF (Supremo Tribunal Federal).

Só em 2007, a maior corte do país recebeu 108.100 processos. O ramo do direito mais acionado foi aquele cujos temas eram ligados ao direito civil, com mais de 43 mil ações. Apesar do volume de processos, houve uma queda de 16% em comparação ao ano de 2006, quando o Supremo recebeu 129.079 demandas.

Para o advogado e professor de direito constitucional da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Oscar Vilhena Vieira, há uma “delinqüência constitucional” no sistema jurídico brasileiro. “A Constituição Federal se renova e desatualiza em uma velocidade fantástica. É um processo de sucção social, a migração do poder decisório para uma instância que não tem legitimidade para tanto. Nenhum deles foi eleito nem sequer para síndico do prédio (sic). É um volume exorbitante”, afirma.

Antes mesmo de completar um ano no cargo, o ministro Enrique Ricardo Lewandowski disse, em dezembro de 2007, que já tinha julgado mais de 15 mil processos. Para ele, esse volume de ações é sinal de que o judiciário brasileiro está “caminhando para um caos absoluto”.

Primeiro milhão
Em 17 anos, o Supremo já recebeu mais de 1 milhão de ações. Ou seja, 11 ministros ficam responsáveis por analisar mais de 90 mil litígios cada um. Em 1990, o volume total de ações em um ano era de 18.563. Dez anos depois, esse número aumentou em 502,5%.

Nos últimos três anos, casos envolvendo questões trabalhistas têm registrado aumento gradativo. Em 2006, foram 6.730 ações. No ano passado houve um aumento de 121,09%. Foram julgados 8.149 litígios. “O Supremo está virando o foro das pequenas causas trabalhistas”, comenta Vieira.

Já o número de ações na área cível teve uma redução de 22,1% em 2007, com 43.698 processos, 12.453 a menos do que em 2006.

Um dos instrumentos que o tribunal dispõe para brecar a enxurrada de processos é a chamada repercussão geral, emenda de dezembro de 2004, mas que só foi regulamentada em 2007. Por meio dela, o poder judiciário edita normas jurídicas a serem aplicadas em decisões posteriores atribuindo-lhe racionalidade.

http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/47182.shtml

domingo, fevereiro 03, 2008

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

A Festa da Luz findou, agora carnaval. Eu tenho uma sina de nunca participar dessas festas. Não sei quantos natais eu passei assistindo à Missa do Galo, e nem cristão eu sou. Toda aquela pompa, aquelas coisas lindas, a guarda suíça parecendo valetes de baralho. Depressivo!!
Agora o carnaval, desfile das escolas pela globo, com comentários infames de locutores esportivos e apresentadoras de jornais. -Olha como ele rí. -Muita alegria. -É muito talento. E sem contar aqueles efeitos especiais horríveis que a globo insisti em colocar: túneis virtuais, shows pirotécnicos, camisas flutuantes. Eles pensam que alguém acha que isso é de verdade? Pelo amor de deus, é ridículo
Prefiro a RedeTV e as repórteres quase se humilhando para as dançarinas B Sides mostrarem os seios e o bumbum. É muito mais decente.
Esse ano aqui em Guarabira vai ter festa, com banda e tudo o mais. Blocos, escolas de samba (sic). Eu acho legal, pelo menos a cidade não fica parada. Claro, isso excluindo as já certas brigas partidárias, implícitas e explicitas, que irão regar toda a festa.

quarta-feira, janeiro 30, 2008


Por algum motivo estou com uma animação inexplicável nesses dias. Geralmente quando fico desse jeito é porque estou esquecendo de alguma coisa que com certeza é séria. Mas, enfim, animado!
Ontem começou a Festa da Luz, padroeira da cidade, com a incrível atração, a multi-universalmente conhecida banda Revelação. Por sorte, de onde estava, mal dava pra ouvir a cantoria. Antes das duas estava em casa, com dor de cabeça da cerveja quente e do pouco que dava pra ouvir de música. Hoje não fui porque tenho limite para exposição excessiva à música radioativa, hoje quem vai tocar(?) é Harmonia do Samba, do marido de Carla Perez e pai de Xandy Júnior. Sexta-feira vai terrrrrrrr: Paralamas do Sucesso. O pessoal da cidade parece que não gostou muito não, esse tipo de música não agrada muito, muito underground.
Depois, carnaval, festa da carneeeeee, do "djabo". Adoro! Mesmo ficando em casa assistindo aos desfiles das escolas de samba e seus respectivos "bastidores". Ando muito pervertido esses dias.
Logo após o carnaval, início das aulas, e outro evento vai começar por aqui, com festa, profanações de todos os tipos, fantasias, máscaras, soltação de franga, briga, acidentes, xingamentos... também do "djabo": eleições municipais.
E por morar no município e não na abstração que é o Estado, ficarei mais próximo das contendas, que é marcada essencialmente pelo antagonismo amigo-inimigo. Mas não o inimigo público, o hostis, da teoria de Carl Schmitt que caracteriza o "político", é mesmo o inimigo privado, o inimicus, que no contexto das eleições municipais, ao menos aqui e na maioria dos "interiores" da Paraíba, dá margem a brigas e intrigas, baixarias e depravações, e, no dizer de NXZero(?), razões e emoções.
Ou seja, o que de mais atrasado existe na América do Sul acontece na Paraíba. Um verdadeiro espetáculo.
E entre tantos eventos que esse ano promete, incluindo as Olimpíadas, que esqueci de mencionar, estou, até agora, a poucos dias do meu inferno astral, apesar disso nunca ter funcionado comigo, apesar disso, estou tranqüilo, e animado!
Não, não. Não é hipocrisia; primeiro, porque isso vai durar pouco, e segundo, porque a era dos "Discurso 'uma coisa'. Atitude 'outra, totalmente diferente'", está só começando, e eu isso não sou, esforço-me a cada segundo pra não ser, e venho conseguindo.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

O DESCONCERTO DO MUNDO

Luiz Vaz de Camões

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.

quarta-feira, janeiro 23, 2008


Eu já tinha ouvido alguma coisa de Weather Report e do Jaco Pastorius, mas hoje ouvi um disco ao vivo na Itália, e me apaixonei mais ainda pelo som do cara. Não sei muito sobre o disco, mas acho que o show é como solo, e o que me surpreendeu foi a banda dele, o guitarrista e o baterista são demais. Na internet há pouca coisa em português sobre ele, o que há é confuso e contraditório. Mas, pelo que entendi, ele teve problemas sérios com drogas e álcool e morreu como mendigo em uma briga de bar. É, já dizem que os grandes gênios geralmente não têm uma vida particular muito organizada, e por isso, às vezes, não conseguem o reconhecimento e o sucesso que merecem, enquanto que alguns não tão bons, mas que conseguem organizar, planejar, etc., alcançam muito mais sucesso, vide fenômenos "literários" da atualidade; pois é, infelizmente, ninguém pode ter tudo.
Também ouvi, quer dizer, estou ouvindo agora, a coletânea da Folha do Chick Corea, muito bom também. Pianista sensacional com uma também maravilhosa.

Hoje assisti a fale com ela, de Almodóvar. Muito bom. Nessas férias estou assistindo a granel, é uma maneira de conciliar a ociosidade com a acumulação de cultura cinematográfica.
Entre esses, assisti Morangos Silvestres, de Bergman. Esse sim, sensacional. Mais sensacional ainda quando, por recomendação de meu amigo Henrique, li um texto que ler o filme, a partir de escritos do próprio Bergman, com referências freudianas. Realmente, um gênio. Desde à caçoada que deram às teorias de Freud, até o alívio da vontade de defecar estão no filme. Filme este que tive a paciência de: 1. Baixar 1,09gb 2. Procurar um programa diminuisse o filme para caber em um CD (não tenho gravador de DVD). 3. Diminuir o vídeo (cerca de uma hora) 4. Traduzir a legenda de inglês para o português, pois com o filme só vieram as legendas em inglês e espanhol, e a em português que achei na internet não estava sincronizada com o filme 5. Gravar o filme.
Outro dia assisti a Vergonha, outro de Bergman. Fala sobre um casal de músicos que têm que se isolar devido a uma guerra civil. Também muito bom. E mais ainda porque, dando uma sensação duvidosa de querer rever esse filme todos os dias, logo nos primeiros minutos, Liv Ullmann, no auge dos seus 29 anos, aparece de seios desnudos, despertando desejos libidinosos até mesmo nos mais puritanos , frios, calculistas e imparciais críticos de cinema. Putz, e pensar que o escroto do Bergman pegava esse pedaço de pecado.
Não só por isso -mas também- vale conferir também Vergonha.

sábado, janeiro 19, 2008

Peço desculpas aos dois ou três leitores - será que estou sendo ambicioso? - mas a falta de assunto e de coragem me fizeram ficar um tempo sem postar.
Na minha volta triunfal, dou continuidade à minha jornada em busca de mp3's. Estou quse me filiando ao movimento: Contra burguês, baixe mp3.
O blog agora tem muitos álbuns de hardrock dos anos 70, coisa muito boa. A imensa maioria das bandas eu num nem ouvi falar. Pra quem gosta, eis o endereço http://hardrock70s.blogspot.com/

quarta-feira, dezembro 19, 2007

O Prefeito
Ton Oliveira

Mamãe, agora eu quero ser prefeito
Garanto que vou me candidatar
Do jeito que já sei mentir bastante
Acho que de hoje em diante minha vida vai mudar

Pra quem me apoiar eu dou abraço
Se falar mal de mim eu dou dinheiro e ele muda
E vai ficar tudo do mesmo jeito
Se eu ganhar para prefeito
É o mesmo "deus-nos-acuda"

E vai ficar tudo do mesmo jeito
Se eu ganhar para prefeito
É o mesmo "deus-nos-acuda"

É a cidade esburacada (ai ai ai)
E o povo vivendo mal (ui ui ui)
Mas quando a coisa ficar preta
Eu invento uma micareta
E faço aquele carnaval

Trago um conjunto da Bahia (ai ai ai)
Pago mais do que ele merece (ui ui ui)
Se pagar 100, digo que foi 500
Desviando os 400 meu saldo banqueiro cresce

Aí o povo esquece tudo (ai ai ai)
E no embalo desse som (ui ui ui)
A cidade fica feliz
E ainda tem gente que diz:
"Eita, que prefeito bom!"

A cidade fica feliz
E ainda tem gente que diz:
"Eita, que prefeito bom!

terça-feira, dezembro 18, 2007

Achei um ótimo blog, com dezenas de Álbuns para baixar de samba, mpb, chorinho e tudo o mais, inclusive tem o filme sobre Cartola para baixar também. O endereço é http://capsuladacultura.com.br/blog/

Bar ruim é lindo, bicho.

Antônio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós,meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio
intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por
artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns
velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas
vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro
cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o
sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

sábado, dezembro 15, 2007

Quem apareceu no Jô hoje foi Fernanda Montenegro, falar sobre algo que não sabia e que até agora estou dando pulinhos de preparo para saltos mortais, de alegria e de ansiosidade: O romance O Amor nos Tempos do Cólera de Gabriel García Marquez, virou filme.
Inclusive já foi apresentado no Festival do Rio, e, segundo minhas pesquisas, vai estrear dia 28 desse mês no Brasil. Espero que venha pra... Guarabira? Não, pois Guarabira não tem cinema, mas para João Pessoa.
Esse foi o primeiro romance que lí de Gabriel García Marquez, e de cara pensei: isso daria um bom filme. Bem, na verdade, nessa onda de transformar bestseller em filme, pensei: Nesses dias vão fazer um filme de cem anos de solidão, vai ser uma merda. Aí arrematei: Mas O Amor nos Tempos do Cólera podia rolar.
Agora é esperar pra ver. Quer dizer, esperar pra viajar pra ver.

Segue um trailer do filme.

sexta-feira, dezembro 14, 2007


Dia 22 de Dezembro, o poeta guarabirense Chico Pedrosa estará novamente se apresentando em sua terra natal, no Colégio da Luz. Por motivos que não me são estranhos, Guarabira não dá a metade do valor que o resto do país dá ao Poeta, que é renomado nacionalmente e uma referência da poesia regional, sendo gravado por, entre outros, Cordel do Fogo Encantado. O livro dele que eu tenho - Sertão Caboclo - é prefaciado por Jessier Quirino.
E sua última apresentação aqui comprovou isso: umas 30 pessoas e um bêbu véi aperriando. Mas, vamos que vamos, cancelei um provável programa para ficar e assistir ao espetáculo.

Essa poesia se chama:

A infância com meus pais.

Sua infância foi risonha?
Calma, não responda agora.
Por favor, não a exponha,
Que vai chegar sua hora.
A minha foi meio ingrata
Tipo caldo de batata
Sem substância nenhuma
Infância desenxabida
Dessas coisas que na vida
Pobre só aguenta uma

Minha escola foi o campo
Minha caneta a enxada
Meu brinquedo o pirilampo
Vigilante da baixada
Armei pedra de quixó
Cacei preá e mocó
Atirei de baleira
Cavei peba em tabuleiro
E tirei enxu verdadeiro
Nas moita da capoeira

Todo tipo de doença
Que se contrai na infância
Sofri por indiferença
Da nossa ignorância
Mamãe era benzedeira
Rezava olhado e papeira
Dor de dente, bucho inchado
Febre, espinhela caída
Inchação, tosse comprida
Arroto choco e puxado

Cresci na fralda da serra
Ouvindo a voz do vaqueiro
Que pega, derruba e ferra
Pra seu patrão fazendeiro
Como um nativo da selva
Saía pisando a relva*
A caminho do roçado
Recebendo dos meus pais
Os conselhos naturais
Do meio em que fui criado

No fim do ano uma festa
E com ele uma roupa nova
Porque numa época desta
Os pais da gente dão prova
De solidariedade
Vão às loja da cidade
Compram terno e cinturão
Sapato, gravata e "cheiro"
E nos dão algum dinheiro
Pra o parque de diversão

Pra mim compraram um sapato
De solado de pneu
Couro grosso, bico chato
Fui calçar, ele não deu
Era menor que meu pé
Mamãe fez logo um banzé
Chamou meu pais de sovino
Ele pegou um compasso
E disse: inda hoje faço
Um sapato do menino

Pegou um taco de couro
Dum boi que seca matou
Disse: pise aqui, meu louro
Eu pisei, ele traçou
Sisudo, de cara feia
Cortou, enfiou correia
E achando a medida exata
Disse: vai ficar barato
Não fez umpar de sapato
Nem fez um par de alpargata

Fez um troço parecido
Com uma bainha de foice
Curvado, maio comprido
Um pouco estreito no coice
Se esqueceu do pé direito
Fez os dois do mesmo jeito
E sem admitir enganos
Me deu ordem pra calçar
Dizendo: saiba zelar
Que é sapato pra dez anos

E a minha roupa de festa?
Já compraram? Perguntei
Ele disse: ora esta
Não sabe que eu já comprei
Derna de segunda feira
E quem vai ser a costureira
Vai ser comadrer Dondom
Do riacho Pela-Gato
Que além de cobrar barato
Sabe costurar "raion"

Parece que estou vendo
Meu primeiro paletó
A velha Dondom cozendo
Usando uma vista só
Dondom era costureira
Nas horas vagas parteira
Embirrenta, malcriada
Ninca pegou numa escala
Dava uma volta na sala
Tava a medida tirada

Comigo ela fez assim
No dia que lhe entreguei
Um corte de pano ruim
Que de presente ganhei
A velha acendeu um facho
Me olhou e disse: Acho
Que você pode ir embora
Que daqui pra sexta feira
Eu emendo essa porqueira
Com fé em Nossa Senhora

E de fato emendou, pois
Outra coisa ela não fez
Na calça cabiam dois
No paletó mais de três
E a gravata e a camisa?
Meu pai disse: não precisa
Têm as do meu casamento
Há muitos anos guardada
Tão um pouco desbotada
Mas os pano é cem por cento

Mamãe lhe fez um apelo
Com muita diplomacia
Pra cortar o meu cabelo
Na antiga freguesia
Meu pai disse: eu não combino
O cabelo do menino
Só eu sei como é que presta
Sentou-me sobre um caixão
Agarrou um tesourão
E começou a cortar... da testa

Deixou a minha cabeça
Como um carneiro sem lã
Depois disse: não se esqueça
Que a festa é logo amanhã
A igreja tá caiada
A rua tá enfeitada
O carrossé já chegou
Inté o carramanchão
Onde vai ser o leilão
O padre já aprontou

Afinal chegou o dia
Doze do mês de dezembro
Festa de Santa Luzia
Ainda hoje me lembro
Eu calçado de alpergata
De paletó e gravata
Parecia um coroné
Entupido de gelada
Chamei minha namorada
Pra correr no corrossé

A concertina tocava
A música do assum preto
E o carrossé de carbureto
Num instante embalava
Um homem com um apito
Fazia sinal, e Benedito
Dava mais um empurrão.
E os casais de namorados
Agradeciam sentados
Por mais uma rotação

Sentei-me numa cadeira
Ao lado da namorada
Senti logo uma zonzeira
E a natureza enjoada
O carrossé embalou
Meu paletó se inflou
Ficou igual a um balão
A vista ficou escura
E o povo gritou: Segura,
Cabra do paletozão!

Vomitei toda gelada
Que antes havia bebido
E perdi minha namorada
Prum sujeito mais sabido
Fui me lavar num riacho
E quando passei por baixo
Dum poleiro, uma galinha
Abriu a porta traseira
E despejou a sujeira
Na minha bela roupinha

Pronto... Adoeci de novo
E agora? Que faço então?
Voltar pro meio do povo
desse jeito? Volto não
Tirei a roupa e lavei
sem sabão e pendurei
Numa rama de cipó
Lá pra alta madrugada
Veio uma vaca malhada
Comeu calça e paletó

Restou o par de alpargata
E a cueca samba-canção
A camisa e a gravata
Mas dinheiro... nem um tostão
A desgraçada da vaca
Comeu a última pataca
Deixei a festa e a farra
Toquei o pé no caminho
E no terreiro do ranchinho
Cheguei ao quebrar da barra

Cheguei como um fugitivo
Que foje duma cadeia
Cabisbaixo, pensativo
Com medo de levar peia
Contei o que se passou
Minha mãe acreditou
Pai entendeu muito mais
E para finalizar
Resolvi apresentar
Minha infância com meus pais

Labirinto

Ronaldo Cunha Lima

De tanto imaginar o meu porvir
e ao mesmo tempo abrir muitas estradas,
terminei suscitando encruzilhadas
e agora já não sei para onde ir.

Difícil iniciar e concluir
de uma só vez diversas caminhadas.
Havendo mais partidas que chegadas,
é mais racional o desistir.

Quanto mais e mais longos os caminhos,
mais constantes, também, são os espinhos,.
as dores, dissabores, tudo enfim.

Criando dentro d'alma um labirinto,
observo, afinal, e agora sinto
que eu mesmo me perdi dentro de mim.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Graças ao empenho de alguns ilustres desconhecidos, tenho conseguido baixar todos os cds da coleção Folha Clássicos do Jazz. E tenho adorado. Mas eu descobri que eu tenho um ponto amarrado e que nunca vou me desamarrar. Esse ano eu conheci muita coisa relacionado a música: viajei pelo forró pé-de-serra, fui à MPB, dei uma passada por uns punks, escutei coisas antigas, dei um forte trago de Pink Floyd, uma segurada braba em Led Zeppelin, e soltei nos discos solos de John Lennon. Mas sempre volto e vou dos Beatles. Agora estou ouvindo Jazz, mas sempre, entre o intervalo de um e outro, entre um download e outro, escuto os Fab Fours.
Comprei as clássicas fotos que estão no Álbum Branco, umas das mais belas deles. Irei fazer quatro molduras e colocar no meu quarto. Mas, por incrível que pareça, as mais belas fotos dos Beatles foram tiradas no início da carreira, quando eles estavam em Hamburgo, pela então namorada do ex-baixista Stu Sutfliffe, Astrid Kirchherr. Eu as tenho aqui no computador.
Aí está o clipe de Hello Goodbye, do álbum Magical Mystery Tour.

http://www.youtube.com/watch?v=Qf2S7kKLtEQ