quarta-feira, dezembro 19, 2007
Ton Oliveira
Mamãe, agora eu quero ser prefeito
Garanto que vou me candidatar
Do jeito que já sei mentir bastante
Acho que de hoje em diante minha vida vai mudar
Pra quem me apoiar eu dou abraço
Se falar mal de mim eu dou dinheiro e ele muda
E vai ficar tudo do mesmo jeito
Se eu ganhar para prefeito
É o mesmo "deus-nos-acuda"
E vai ficar tudo do mesmo jeito
Se eu ganhar para prefeito
É o mesmo "deus-nos-acuda"
É a cidade esburacada (ai ai ai)
E o povo vivendo mal (ui ui ui)
Mas quando a coisa ficar preta
Eu invento uma micareta
E faço aquele carnaval
Trago um conjunto da Bahia (ai ai ai)
Pago mais do que ele merece (ui ui ui)
Se pagar 100, digo que foi 500
Desviando os 400 meu saldo banqueiro cresce
Aí o povo esquece tudo (ai ai ai)
E no embalo desse som (ui ui ui)
A cidade fica feliz
E ainda tem gente que diz:
"Eita, que prefeito bom!"
A cidade fica feliz
E ainda tem gente que diz:
"Eita, que prefeito bom!
terça-feira, dezembro 18, 2007
Bar ruim é lindo, bicho.
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós,meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. "Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio
intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por
artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns
velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas
vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro
cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o
sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
sábado, dezembro 15, 2007
Inclusive já foi apresentado no Festival do Rio, e, segundo minhas pesquisas, vai estrear dia 28 desse mês no Brasil. Espero que venha pra... Guarabira? Não, pois Guarabira não tem cinema, mas para João Pessoa.
Esse foi o primeiro romance que lí de Gabriel García Marquez, e de cara pensei: isso daria um bom filme. Bem, na verdade, nessa onda de transformar bestseller em filme, pensei: Nesses dias vão fazer um filme de cem anos de solidão, vai ser uma merda. Aí arrematei: Mas O Amor nos Tempos do Cólera podia rolar.
Agora é esperar pra ver. Quer dizer, esperar pra viajar pra ver.
Segue um trailer do filme.
sexta-feira, dezembro 14, 2007

Dia 22 de Dezembro, o poeta guarabirense Chico Pedrosa estará novamente se apresentando em sua terra natal, no Colégio da Luz. Por motivos que não me são estranhos, Guarabira não dá a metade do valor que o resto do país dá ao Poeta, que é renomado nacionalmente e uma referência da poesia regional, sendo gravado por, entre outros, Cordel do Fogo Encantado. O livro dele que eu tenho - Sertão Caboclo - é prefaciado por Jessier Quirino.
E sua última apresentação aqui comprovou isso: umas 30 pessoas e um bêbu véi aperriando. Mas, vamos que vamos, cancelei um provável programa para ficar e assistir ao espetáculo.
Essa poesia se chama:
A infância com meus pais.
Sua infância foi risonha?
Calma, não responda agora.
Por favor, não a exponha,
Que vai chegar sua hora.
A minha foi meio ingrata
Tipo caldo de batata
Sem substância nenhuma
Infância desenxabida
Dessas coisas que na vida
Pobre só aguenta uma
Minha escola foi o campo
Minha caneta a enxada
Meu brinquedo o pirilampo
Vigilante da baixada
Armei pedra de quixó
Cacei preá e mocó
Atirei de baleira
Cavei peba em tabuleiro
E tirei enxu verdadeiro
Nas moita da capoeira
Todo tipo de doença
Que se contrai na infância
Sofri por indiferença
Da nossa ignorância
Mamãe era benzedeira
Rezava olhado e papeira
Dor de dente, bucho inchado
Febre, espinhela caída
Inchação, tosse comprida
Arroto choco e puxado
Cresci na fralda da serra
Ouvindo a voz do vaqueiro
Que pega, derruba e ferra
Pra seu patrão fazendeiro
Como um nativo da selva
Saía pisando a relva*
A caminho do roçado
Recebendo dos meus pais
Os conselhos naturais
Do meio em que fui criado
No fim do ano uma festa
E com ele uma roupa nova
Porque numa época desta
Os pais da gente dão prova
De solidariedade
Vão às loja da cidade
Compram terno e cinturão
Sapato, gravata e "cheiro"
E nos dão algum dinheiro
Pra o parque de diversão
Pra mim compraram um sapato
De solado de pneu
Couro grosso, bico chato
Fui calçar, ele não deu
Era menor que meu pé
Mamãe fez logo um banzé
Chamou meu pais de sovino
Ele pegou um compasso
E disse: inda hoje faço
Um sapato do menino
Pegou um taco de couro
Dum boi que seca matou
Disse: pise aqui, meu louro
Eu pisei, ele traçou
Sisudo, de cara feia
Cortou, enfiou correia
E achando a medida exata
Disse: vai ficar barato
Não fez umpar de sapato
Nem fez um par de alpargata
Fez um troço parecido
Com uma bainha de foice
Curvado, maio comprido
Um pouco estreito no coice
Se esqueceu do pé direito
Fez os dois do mesmo jeito
E sem admitir enganos
Me deu ordem pra calçar
Dizendo: saiba zelar
Que é sapato pra dez anos
E a minha roupa de festa?
Já compraram? Perguntei
Ele disse: ora esta
Não sabe que eu já comprei
Derna de segunda feira
E quem vai ser a costureira
Vai ser comadrer Dondom
Do riacho Pela-Gato
Que além de cobrar barato
Sabe costurar "raion"
Parece que estou vendo
Meu primeiro paletó
A velha Dondom cozendo
Usando uma vista só
Dondom era costureira
Nas horas vagas parteira
Embirrenta, malcriada
Ninca pegou numa escala
Dava uma volta na sala
Tava a medida tirada
Comigo ela fez assim
No dia que lhe entreguei
Um corte de pano ruim
Que de presente ganhei
A velha acendeu um facho
Me olhou e disse: Acho
Que você pode ir embora
Que daqui pra sexta feira
Eu emendo essa porqueira
Com fé em Nossa Senhora
E de fato emendou, pois
Outra coisa ela não fez
Na calça cabiam dois
No paletó mais de três
E a gravata e a camisa?
Meu pai disse: não precisa
Têm as do meu casamento
Há muitos anos guardada
Tão um pouco desbotada
Mas os pano é cem por cento
Mamãe lhe fez um apelo
Com muita diplomacia
Pra cortar o meu cabelo
Na antiga freguesia
Meu pai disse: eu não combino
O cabelo do menino
Só eu sei como é que presta
Sentou-me sobre um caixão
Agarrou um tesourão
E começou a cortar... da testa
Deixou a minha cabeça
Como um carneiro sem lã
Depois disse: não se esqueça
Que a festa é logo amanhã
A igreja tá caiada
A rua tá enfeitada
O carrossé já chegou
Inté o carramanchão
Onde vai ser o leilão
O padre já aprontou
Afinal chegou o dia
Doze do mês de dezembro
Festa de Santa Luzia
Ainda hoje me lembro
Eu calçado de alpergata
De paletó e gravata
Parecia um coroné
Entupido de gelada
Chamei minha namorada
Pra correr no corrossé
A concertina tocava
A música do assum preto
E o carrossé de carbureto
Num instante embalava
Um homem com um apito
Fazia sinal, e Benedito
Dava mais um empurrão.
E os casais de namorados
Agradeciam sentados
Por mais uma rotação
Sentei-me numa cadeira
Ao lado da namorada
Senti logo uma zonzeira
E a natureza enjoada
O carrossé embalou
Meu paletó se inflou
Ficou igual a um balão
A vista ficou escura
E o povo gritou: Segura,
Cabra do paletozão!
Vomitei toda gelada
Que antes havia bebido
E perdi minha namorada
Prum sujeito mais sabido
Fui me lavar num riacho
E quando passei por baixo
Dum poleiro, uma galinha
Abriu a porta traseira
E despejou a sujeira
Na minha bela roupinha
Pronto... Adoeci de novo
E agora? Que faço então?
Voltar pro meio do povo
desse jeito? Volto não
Tirei a roupa e lavei
sem sabão e pendurei
Numa rama de cipó
Lá pra alta madrugada
Veio uma vaca malhada
Comeu calça e paletó
Restou o par de alpargata
E a cueca samba-canção
A camisa e a gravata
Mas dinheiro... nem um tostão
A desgraçada da vaca
Comeu a última pataca
Deixei a festa e a farra
Toquei o pé no caminho
E no terreiro do ranchinho
Cheguei ao quebrar da barra
Cheguei como um fugitivo
Que foje duma cadeia
Cabisbaixo, pensativo
Com medo de levar peia
Contei o que se passou
Minha mãe acreditou
Pai entendeu muito mais
E para finalizar
Resolvi apresentar
Minha infância com meus pais
Labirinto
De tanto imaginar o meu porvir
e ao mesmo tempo abrir muitas estradas,
terminei suscitando encruzilhadas
e agora já não sei para onde ir.
Difícil iniciar e concluir
de uma só vez diversas caminhadas.
Havendo mais partidas que chegadas,
é mais racional o desistir.
Quanto mais e mais longos os caminhos,
mais constantes, também, são os espinhos,.
as dores, dissabores, tudo enfim.
Criando dentro d'alma um labirinto,
observo, afinal, e agora sinto
que eu mesmo me perdi dentro de mim.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Comprei as clássicas fotos que estão no Álbum Branco, umas das mais belas deles. Irei fazer quatro molduras e colocar no meu quarto. Mas, por incrível que pareça, as mais belas fotos dos Beatles foram tiradas no início da carreira, quando eles estavam em Hamburgo, pela então namorada do ex-baixista Stu Sutfliffe, Astrid Kirchherr. Eu as tenho aqui no computador.
Aí está o clipe de Hello Goodbye, do álbum Magical Mystery Tour.
http://www.youtube.com/watch?v=Qf2S7kKLtEQ
quarta-feira, dezembro 05, 2007
100 melhores discos da música brasileira
Segue abaixo a lista dos discos com links pra download. Nem todos os links ainda estão ativos, paciência.
01. Acabou Chorare (Novos Baianos, 1972)
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Estudante processa prefeitura por "zerar" em Micareta
Revoltado por não ter conseguido beijar ninguém em um carnaval fora de época promovido pela Prefeitura de Guararapes do Norte (230 km de Rio Branco - Acre) no último mês de maio, o estudante universitário J. C. A. ajuizou uma ação judicial bastante inusitada. Ele foi à Justiça pedir indenização porque "zerou" na micareta.
JCA pediu indenização por danos morais, alegando que "após quase dez horas de curtição e bebedeira não havia conquistado a atenção de sequer uma das muitas jovens que corriam atrás de um trio elétrico". Ainda segundo o autor, que diagnosticou na falta de organização da Prefeitura a causa de sua queixa, todos os seus amigos saíram da festa com histórias para contar.
Em sua contestação, a Prefeitura de Guararapes do Norte ponderou tratar-se de "demanda inédita, sem qualquer presunção legal possível", porque não caberia a ela qualquer responsabilidade no sentido de "aliciar membros da festividade para a prática de atos lascivos, tanto mais por se tratar de comemoração de caráter familiar, na qual, se houve casos de envolvimento sexual entre os integrantes, estes ocorreram nas penumbras das ladeiras e nas encostas de casarões abandonados, quando não dentro dos mesmos, mas sempre às escondidas".
Apesar da aparente inconsistência da demanda judicial, por seus próprios méritos a ação ainda ganhou força antes de virar objeto de chacota dos moradores da cidade, em virtude do teor da réplica apresentada pelo autor, que contou com um parecer desenvolvido pelo doutrinador local Juvêncio de Farias, asseverando que "sendo objetiva a responsabilidade do Estado, mesmo que este não pudesse interferir na lascívia dos que festejavam, o estudante jamais poderia ter saído tão amuado de um evento público".
Ao autor da demanda, no entanto, como resultado de uma "aventura jurídica" que já entrou para o folclore do município, não restaram apenas consequências nocivas. Afinal, em que pese a sentença que deu cabo ao processo ter julgado a demanda totalmente improcedente, o estudante se saiu vitorioso após ter arranjado como namorada uma funcionária do setor de aconselhamento psicológico do município, que passou a freqüentar por indicação do próprio magistrado responsável pelo encaminhamento do caso.
Segundo a própria Municipalidade, tal acontecimento afetivo ocorreu sem nenhuma participação do Estado.
De Rodrigo Amaral Paula de Méo, da Gazeta Jurídica de Piracema Branca do Norte
domingo, dezembro 02, 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
Pra quem ainda não conhece, taí uma dica ótima: A Livraria do Senado. Livros sobre política, direito, literatura, história e legislação a preço de banana, e para alguns estados, com frete grátis.
http://www.seep.ws/
quarta-feira, novembro 28, 2007
PARAÍBA JAZZ FESTIVAL 2007
Quinta-feira (29/11/07)
20h00 às 21h00 - Alex Corezzi + Por um Trio - MG/PE
21h20 às 22h20 - Rodrigo Dominguez Trio - ARG
22h40 às 23h40 - noJazz - FRA
Sexta-feira (30/11/2007)
20h00 às 21h00 - Cinval Coco Grude - PE
21h20 às 22h20 - Deanna Witkowski - EUA
22h40 às 23h40 - Fernando Tarrés Quinteto - ARG
Sábado (01/12/2007)
20h00 às 21h00 - Fábio Costa - PE
21h20 às 22h20 - Chico Correa & Electronic Band - PB
22h40 às 23h40 - Alejandro Vargas - CUBA
CONFERÊNCIA (MagShopping, 30/11/07, das 10h às 13h)
1. Robert Singerman (Bureau Export Musique Française Nova
York- Consulado da França nos Estados Unidos)
2. Gloria Ochoa de Zabalegui (Casa Discográfica Producciones
Colibri - CUBA) - Projeto "JOJAZZ - El Joven Espíritu del Jazz Cubano"
3. Javier Fainzaig (FaroLatino - Argentina) - Distribuição
e internet;
4. Fernando Tarrés (Bau Records - Argentina) - Um dos mais
importantes músicos e agitadores culturais da Argentina reúne em seu
selo a nata do jazz portenho.
WORKSHOPS (MagShopping, 15h)
Quinta-feira (29/11/07)
Deanna Witkowski
Sexta-feira (30/11/2007)
Fernando Tarrés

A Folha de São Paulo lançou, já há algum tempo, uma coleção de clássicos de jazz. Adoraria comprar, mas o preço e indisponibilidade da coleção em minha cidade não permitiram. Então, não tive outra opção: Estou baixando todos os cds. E baixo mesmo, oras, se não fosse a internet e a divulgação ilegal de músicas em formato mp3 eu não conheceria um quarto dos artistas que conheço hoje. Até agora já baixei o cd de Nat King Cole e o de Herbie Hancock. Adorei os dois. Confesso que tinha um certo proconceito com o primeiro, decorrente dos enjoados comerciais da coletânea Som Livre, e esperava já os clássicos como When I Fall in Love, Mona Lisa e Unforgettable, tive surpresa que nenhum desses hits está no cd, que é um show ao vivo em Sands. Herbie Hancock não conhecia, mas estou adorando. Desde sempre gostei de música instrumental, e jazz instrumental então... Recomendo os dois. Estou baixando agora o cd de Louis Armstrong, agora é esperar pra ver se também foge ao óbvio.
Ah... e quem quiser baixar, o site é http://jazzerock.blogspot.com/, no blog, no lado direito em Post por categoria, é só escolher Coleção Folha: Clássicos do Jazz.
terça-feira, novembro 27, 2007

Por falar em pintura e em solidão, um dos meus pintores favoritos é Edward Hopper. Dá pra ver a solidão em suas telas, como nessa, por exemplo. Essa se chama Nighthwaks, uma de suas mais famosas telas.
Eu acho a solidão um tema elegantíssimo. Não sei se essa fascinação é mera identificação. Como na música de Roberto Carlos: "Se você pretende saber quem eu sou, eu posso lhe dizer (...) você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim". Belíssimo.
segunda-feira, novembro 26, 2007

Estava lendo o blog de Fernando Meirelles - uma espécie de diário de filmagens de Blindness, versão cinematográfica de Ensaio sobre a cegueira, romance do português Nobel de Literatura José Saramago - quando ele fala das reproduções de quadros no citado filme, e fala que usou, entre outros, as telas de Lucian Freud não como inspiração, mas como cópias descaradas. Homenagem.
Não conhecia o neto de Sigmund Freud, fui pesquisar na internet e encontrei esse site http://www.artbarreiro.com/artistas/lucienfreud/Flash01/index.html, que traz algumas de suas telas. Achei interessante a forma descarada como ele retrata o nú: pessoas obesas, esqueléticas, closes pubianos. E cachorros, em duas telas há a presença de cachorros. Retratação da solidão? Vou me dedicar mais a pintura.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lucian_Freud
terça-feira, outubro 23, 2007

Foi quando voltei do Congresso Brasileiro de Direito Constitucional e fui pesquisar sobre conceito de Justiça, que li sobre o relativismo de Kelsen. Comecei a ler O problema da Justiça, e estou desconstruindo uma imagem de Kelsen que tinha, não em relação ao ponto de vista do fracasso do positivismo, mas de um filósofo denso e complexo.
A negação a parte, ou melhor, ao mais importante núcleo de sua teoria, Pura do Direito, conseguiu ofuscar outros posicionamentos filosóficos seus. Algo que aconteceu com Carl Schmitt, que devido ao seu envolvimento com o nacional-socialismo, teve sua obra renegada até bem pouco tempo.
Vou tentar escrever algo até o dia 1º de novembro sobre o conceito de justiça para Hans Kelsen e inscrever na Semana "natalina" de Humanidades da Universidade, e, ao contrário do que alguns possam pensar, bem mais por interesse do que por vaidade.
Depois da clássica sentença do juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, de São Paulo:
"Quem presenciou grandes orquestras futebolísticas formadas: SEJAS, CLODOALDO, PELÉ E EDU, no Peixe: MANGA, FIGUEROA, FALCÃO E CAÇAPAVA, no Colorado: CARLOS, OSCAR, VANDERLEI, MARCO AURÉLIO E DICÁ, na Macaca, dentre inúmeros craques, não poderia sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol."
Finalizando com chave de ouro:
"'CADA UM NA SUA ÁREA, CADA MACACO EM SEU GALHO, CADA GALO EM SEU TERREIRO, CADA REI EM SEU BARALHO', É assim que eu penso... e porque penso assim, na condição de Magistrado, digo!"
Meus colegas de universidade me mostraram o que promete ser a novel referência jurisprudencial, da juiza Adriana Sette da Rocha Raposo, dessa vez mais perto, para orgulho do estado da Paraíba, na cidade de Santa Rita, declama:
"A liberdade de decisão e a consciência interior situam o juiz dentro do mundo, em um lugar especial que o converte em um ser absoluto e incomparavelmente superior a qualquer outro ser material. A autonomia de que goza, quanto à formação de seu pensamento e de suas decisões, lhe confere, ademais, uma dignidade especialíssima. Ele é alguém em frente aos demais e em frente à natureza; é, portanto, um sujeito capaz, por si mesmo, de perceber, julgar e resolver acerca de si em relação com tudo o que o rodeia. Pode chegar à autoformação de usa própria vida e, de movo apreciável, pode influir, por sua conduta, nos acontecimentos que lhe são exteriores. Nenhuma coerção de fora pode alcançar sua interioridade com bastante força para violar esse reduto íntimo e inviolável que reside dentro dele."
E eu achando que a carreira era chata...
segunda-feira, outubro 22, 2007
"Na democracia, governam as maiorias. Elas fazem a lei, elas escolhem os governantes. Estes são comprometidos com as maiorias que os elegeram e a elas devem agradar. As minorias não têm força. Não fazem leis nem designam agentes públicos, políticos ou administrativos.
Sua única proteção está no Judiciário. Este não tem compromisso com a maioria. Não precisa agradá-la, nem cortejá-la. Os membros do Judiciário não são eleitos pelo povo. Não são transitórios, não são periódicos. Sua investidura é vitalícias. Os magistrados não representam a maioria. São a expressão da consciência jurídica nacional. Seu único compromisso é com o direito, com a Constituição e as leis; com os princípios gerais do direito, que são universais. São dotados de condições objetivas da independência, para serem imparciais; quer dizer: para não serem levados a decidir a favor da parte mais forte, num determinado litígio.
Assim é em todos os países democráticos, que podem ser qualificados como Estados de Direito"
Geraldo Ataliba.
quarta-feira, outubro 03, 2007

Depois de muita luta, consegui fazer a Rádio Tabajara FM, de João Pessoa, ser transmitida aqui em casa. Tive que puxar um fio e colocar em cima da estante dos livros; só funcionava lá, e em frente à primeira edição da constituição de 1988.
Guarabira não oferece, entre outros, muitas opções em se tratando de emissora de rádio.
É aquela coisa, juntando as cinco emissoras, doravante rádios, não dá uma. Uma é da situação, três da oposição, e a rádio Cidade, que ganhou esse nome, pelo menos eu acho, por teauto-falantes espalhados pela cidade, que eu não sei de que "lado" é.
Aqui e Guarabira quase nada pode ser classificado fora da dicotomia "oposição-situação". Acho que até as próprias oposição e situação têm essa divisão.
Tabajara de vez em quando chia, tem interferência com outra estação pouco acima, o que de vez em quando interrompe Tom Jobim com interferência de "Lapada na Rachada". Mas acho isso o máximo, dá a maior sensação de solidão, como se estivesse em um lugar recôndito, onde não é possível escutar nada, assistir nada, fazer nada...
quinta-feira, setembro 27, 2007
Pior do que um sou-intelectual-underground-só-escuto-bossa nova, são dois. E pior do que isso é quando um desses aí se encontra com outro. Tem um em uma roda falando que leu Cem anos de solidão, o outro escuta e fala: Você leu Cem anos de solidão?. Sim, claro. Você gostou? Claro, é o melhor livro do mundo... E a conversa continua por horas...
Essa espécie está em proliferação. E, lógico, existem variações.
Uma dessas são professores-de-direito-não-positivistas.
Todo professor que é uma subespécie do pessoal que lê Cem anos de solidão, os sou-intelectual-underground-só-escuto-bossa nova, não perde a oportunidade de falar em sala que o positivismo está morrendo, que é uma escola equivocada... Nem Kelsen leram.
Fala que a lei é um instrumento do direito, que não é a única fonte do direito. E essas conversas. Não que eu seja positivista. Mas dói no saco esse papo, principalmente quando vem desse pessoal.
Discurso é uma coisa, mas quando aperta pra eles, sempre falam: O que eu fiz é totalmente legal, está em confirmidade com a lei, com a norma, com o estatuto da universidade...
Por favor, não personalizem, ou personifiquem, ou gritem, ou fiquem vermelhos, ou chorem... Façam isso não, por favor. Ou façam, mas com mais chingamento e desrespeito, porque assim o nível caí mais ainda, e aí o negócio fica mais divertido.
domingo, setembro 02, 2007

Estou agora com um certo receio de postar poesias no blog, pois estaria falando mais de mim do que se resumisse meus dias nessas páginas, que nem existem.
Mas estaria sendo um canalha se não colocasse esse poema do paraibano de Rio Tinto Zé da Luz, e serei um canalha até o dia em que eu decorá-lo.
Brasi Caboco
Zé da Luz
O qui é Brasí Caboco?
É um Brasi diferente
do Brasí das capitá.
É um Brasi brasilêro,
sem mistura de instrangero,
um Brasi nacioná!
É o Brasi qui não veste
liforme de gazimira,
camisa de peito duro,
com butuadura de ouro...
Brasi caboco só veste,
camisa grossa de lista,
carça de brim da “polista”
gibão e chapéu de coro!
Brasi caboco num come
assentado nos banquete,
misturado cum os home
de casaca e anelão...
Brasi caboco só come
o bode seco, o feijão,
e as veiz uma panelada,
um pirão de carne verde,
nos dias da inleição
quando vai servi de iscada
prus home de posição.
Brasi caboco num sabe
falá ingrês nem francês,
munto meno o português
qui os outros fala imprestado...
Brasi caboco num inscreve;
munto má assina o nome
pra votar pru mode os home
Sê gunverno e diputado
Mas porém. Brasi caboco,
é um Brasi brasileiro,
sem mistura de instrangero
Um Brasi nacioná!
É o Brasi sertanejo
dos coco, das imbolada,
dos samba, dos vialejo,
zabumba e caracaxá!
É o Brasi das vaquejada,
do aboio dos vaquero,
do arranco das boiada
nos fechado ou tabulero!
É o Brasi das caboca
qui tem os óio feiticero,
qui tem a boca incarnada,
como fruta de cardoro
quando ela nasce alejada!
É o Brasi das promessa
nas noite de São João!
dos carro de boi cantano
pela boca dos cocão.
É o Brasi das caboca
qui cum sabença gunverna,
vinte e cinco pá-de-birro
cum a munfada entre as perna!
Brasi das briga de galo!
do jogo de “sôco-tôco”!
É o Brasi dos caboco
amansadô de cavalo!
É o Brasi dos cantadô,
desses caboco afamado,
qui nos verso improvisado,
sirrindo, cantáro o amô;
cantando choraro as mágua:
Brasi de Pelino Guedes,
de Inácio da Catingueira,
de Umbelino do Texera
e Romano de Mãe-d’água!
É o Brasi das caboca,
qui de noite se dibruça,
machucando o peito virge
no batente das jinela...
Vendo, os caboco pachola
qui geme, chora e soluça
nas cordas de uma viola,
ruendo paxão pru ela!
É esse o Brasi caboco.
Um Brasi bem brasilero,
sem mistura de instrangêro
Um Brasi nacioná!
Brasi, qui foi, eu tô certo
argum dia discuberto,
pru Pêdo Arves Cabrá.
sábado, setembro 01, 2007
domingo, agosto 12, 2007
Sim... sem contar que acordei 2 horas mais cedo do que o habitual em fim de semana, às 9:30h, pra ir resolver outros problemas.
Hoje, dia dos pais, fomos almoçar fora. A tarde joguei bola, coisa que não faço há mais ou menos 1 ano. No primeiro pique quase que desmaiava. Mais ainda fui produtivo ao "Sem camisa's futebol clube", marcando dois gols e dando passe pra mais dois. Algo fenomenal, em se tratando desse que vos escreve.
Amanhã minhas juntas que aguentem.
terça-feira, julho 31, 2007
Nunca uma página de internet me causou tanta vertigem. Em um mesmo dia, duas notícias que por todas as minhas quase duas décadas de vida não havia presenciado.O juiz Nocolau "Lalau" dos Santos Neto vai voltar a cumprir a pena em regime fechado, e o governador da Paraíba, veja bem, da Paraíba, foi cassado pelo TRE, veja bem, pelo TRE!
É, quem tem pouco se contenta com pouco. Não sei se "Lalau" vai ficar muito tempo dormindo no cimento, e o governador ainda pode recorrer ao TSE, e se este não alterar o resultado, será cassado e o segundo colocado, José Maranhão, assumirá o governo do estado. Espero que isso acontece e que esse estado de espírito faça com que o "outro lado" mova um processo contra ele também, cassando-o também para que outro assuma e assim até que quem não se candidatou seja eleito.
Eu me contento com pouco mas sempre sonho com um pouco mais.
Eu adoro esses rebuliços. Como otimista que sou, acho que algo de bom vai acontecer depois disso tudo, se não uma conscientização do povo, ao menos um medo do não-povo. Algum lucro temos que ter disso tudo, oras.
Estou pensando seriamente em tirar o livro Diário do farol, de João Ubaldo Ribeiro, e colocar Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago, no topo da minha lista de próximos livros a comprar.
domingo, julho 29, 2007

Fidel mandou todo mundo voltar pra Cuba, antes que outros fujões troquem a Ilha por milhões, ou milhares, que vão ganhar no profissionalismo. A primeira coisa que eu pensei foi: Como será que vai ser o próximo Congresso da Une? Nós, estudantes, vamos apoiar ou não a atitude dos atletas?
Estou aflito...
sexta-feira, julho 27, 2007
A Moça Caetana a morte sertaneja
ARIANO SUASSUNA
Com tema de Deborah Brennand
com o Manto negro, rubro e amarelo.
Vi o inocente olhar, puro e perverso,
e os dentes de Coral da desumana.
Eu vi o Estrago, o bote, o ardor cruel,
os peitos fascinantes e esquisitos.
Na mão direita, a Cobra cascavel,
e na esquerda a Coral, rubi maldito.
Na fronte, uma coroa e o Gavião.
Nas espáduas, as Asas deslumbrantes
que, rufiando nas pedras do Sertão,
pairavam sobre Urtigas causticantes,
caules de prata, espinhos estrelados
e os cachos do meu Sangue iluminado.
quarta-feira, julho 25, 2007
De tanto reclamar da minha não ida ontem à palestra de Ariano Suassuna, providenciaram uma honraria no TRT pra ele amanhã. Dessa vez, já estou de mala pronta.
terça-feira, julho 24, 2007

As vezes eu não tenho raiva de Guarabira; Com certeza, hoje não foi um dia desses. Em João Pessoa houve hoje uma palestra do grande escritor, por ocasião da comemoração de seu aniversário de 80 anos e da concessão do título de cidadão Paraibano pela Assembléia Legislativa.
Em Guarabira, nos últimos tempos, além de um movimento cultural pífio, desorganizado e partidário, existe alguma coisa, igualmente pífio, mas nada realmente regular, ao menos. Há alguns anos havia o festival de teatro do nordeste, vinham companhias de vários estado com boas peças, inclusive, em um número do festival, houve uma versão de Uma Mulher Vestida de Sol, do Ariano. Mas hoje, como o governo mudou, não tem mais. E se tivesse, seria como foi em Uma Mulher Vestida de Sol e nas outras peças, um barulho encabulante, fazendo com que, inclusive, antes do início de uma das peças, quebrando todo o protocolo moral, uma das atrizes pediu para que se fizesse silêncio durante a peça, por favor. Ou então quando houve um monólogo patrocinado pela Petrobrás e, por isso, gratuito para estudantes. Dessa vez não lotou, mas em compensação roubaram todos os pertences do ator, sua bolsa com o dinheiro para toda a temporada, o texto da peça, documentos, livros que ele estava vendendo. Uma Vergonha!
Não consegui assisti a peça do Ariano na minha cidade, quando tinha peça, justamente pelo barulho insuportável que, de onde eu estava, mal dava pra escutar minha própria voz.
Se não fosse meu amigo Henrique, que levou meu livro Pedra do Reino e conseguiu um autógrafo, meu dia tinha sido pior ainda.
Guarabira, ê la iá...
segunda-feira, julho 23, 2007
Eu estou tranqüilo e com a consciência limpa, só um pouco chateado com a falta de novidades.
quinta-feira, julho 19, 2007

Há pouco tempo voltei a jogar xadrez. Animado por uns colegas que aprenderam recentemente, e principalmente por ter perdido para esses colegas, decedi voltar a jogar.
Já fui um bom jogador para minha idade. Aprendi com mais ou menos treze anos, no colégio. Se tivesse aprendido mais novo, com certeza teria conseguido resultados melhores nos torneios que participei.
Mas, fazer o que? Ainda tive sorte do colégio onde estudei o segundo ensino fundamental - 5ª a 8ª série - ter aula de xadrez, com um professor muito bom, e com amigos melhores ainda.
Pra que sabe movimentar as peças e quer aprender algumas teorias, um bom livro é "Aprenda xadrez com Gary Kasparov". Sim, o futuro candidato a presidente da Rússia que ficou umas horas na cadeia por liderar uma manifestação
joga xadrez. Foi campeão mundial por dezesseis anos consecutivos. Depois brigou com a federação e fundou a PCA, que fechou alguns anos depois.
Pelo que eu sei, o xadrez era ensinado nas escolas na União Soviética, e agora também na Rússia, que já teve oito campeões mundiais.

Como todo mundo no Brasil, estou acompanhando o Pan do Rio.
Fico vendo o absurdo de medalhas que os Estados Unidos estão ganhando, e fico imaginando como seria o Brasil com o incentivo que há lá, tanto no esporte como em outras áreas como arte, cultura, enfim...
Não é inveja não, sei da ascenção do Brasil a cada edição dos jogos e nas olimpíadas. Criei uma teoria dessas que não merecem nenhuma moral: para ter bons esportistas, é necessário que aja uma preparação desde criança. O Brasil é bom no futebol porque desde pequenos jogamos bola em qualquer terreno "pisável". Mesmo os que não gostam e/ou não saibam, vide, por exemplo, eu, sempre se metem a tentar jogar e dar raiva aos outros. Se, no colégio, houvesse disponibilidade de que as crianças praticassem vários esportes, descobrindo, assim, o que mais se identifica, e, desde então, treinando, enfim, e depois de adolescente ou jovem pudesse, se quisesse, continuar a praticar com ajuda do governo ou de outra organização com fins lucrativos, era outro em árvores.
Isso também em artes como pintura, escultura, literatura, música. As escolas deveriam ser uma ótima ferramenta para a busca para a superação contínua. Há uma grande aproximação entre esporte e arte, em ambos, o praticante sempre está quebrar limites, ou recordes. Ninguém percebe que o que se faz hoje nas escolas não leva ninguém a nada, com exceção dos donos. Português, matemática, geografia, etc., são importantes, claro, mas não da forma como são "dadas" hoje em dia, que o estudante não sabe pra que, de onde, e quando?
Como eu disse, não levem a sério. Eu mesmo não levo. Mas que seria bom, ah, seria...
quinta-feira, maio 24, 2007
Eleições dia 14, daqui pra lá muita briga, bate-boca, disse-não-disse, não-disse-o-que-disse, não-sei-o-que-disse, não-disse, disse, disse?
Cuidado, cardíacos, tuberculosos, sensíveis e menores de idade, a coisa promete. Mas não se animem, é apenas um aperitivo para as eleições do ano que bem, da reitoria.
segunda-feira, maio 07, 2007
Augusto dos Anjos
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos.
Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!
Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,
Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade,
A minha sombra há de ficar aqui!
domingo, maio 06, 2007
quarta-feira, abril 04, 2007

Ganhei de aniversário o DVD documentário sobre um dos melhores e mais vendidos, não necessariamente nessa ordem, álbuns do rock'n'roll: Dark Side Of the Moon, do Pink Floyd.
O Álbum é genial, dizem até que ele é sincronizado com o filme O Mágido de Oz. Nunca tentei assistir o filme como CD, mas quando tiver oportunidade, com certeza tentarei.
O documentário é muito bom. Mostra o pessoal da banda falando sobre as faixas, sobre a produção e tudo o mais. Com certeza recomendo.
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
domingo, fevereiro 11, 2007
Mas me candidatei porque queria fazer alguma coisa pelo meu Campus. Entrei em uma chapa para o Diretório Central dos Estudantes, doravante DCE, majoritariamente do meu Campus.
Acho que exceto eu, todo mundo era socialista. Conheci muita gente boa, realmente interessada em ajudar os estudantes.
Assistindo a um programa de TV que se auto-denomina "inteligente", ví uma deputada que me lembrou a época da eleição do DCE. Ex-presidente da UJS, do PC do B, acredita na UNE, esse pessoal sinistro, falando de que tantos por cento estão na universidade, tantos não estão, que outros tantos mil fazem isso, e não sei o que, não sei o que lá. Aí percebí que muita gente entra no movimento estudantil pra só falar números, ou seja, movimento vazio. Querem transformar o ME em palanque ou em uma espécie de pré-guerrilha para a Revolução.
Não agüento entrar na sala compartilhada da xerox e dos CA's da universidade: fotos de Che Guevara, bandeiras de Cuba, jornais socialistas, frases como Viva a revolução, as vezes vejo o próprio Che tirando umas xerox's por lá. Nada contra os socialistas, mas, pelo amor de deus, com isso acaba-se esquecendo o verdadeiro sentido do ME. Todo mundo, quando se fala em Movimento estudantil, puxa pela memória uma passeata do PSTU.
Vou entrar em contato com a diretoria do DCE eleito para dar a idéia de se incluir no estatuto uma cláusula que proibisse alusão a partidos ou movimentos políticos no ME. Quem sabe assim param de falar números e fazem alguma coisa.
sábado, fevereiro 03, 2007
Hoje assistir ao especial que aconteceu em setembro de 2006 em comemoração ao aniversário de 60 anos de nascimento do Freddie Mercury.Um Mega Show. Brian May, Roger Taylos e o John Deacon juntos. Só isso já valeria a pena, se não estivessem também verdadeiras lenda do rock. Roger Daltrey do The Who, Robert Plant do Led Zeppelin, Tony Iommi do Black Sabbath, Slash, Axl Rose, Elton John, David Bowie, Annie Lennox, Extreme, George Michael, e muita gente que não ví ou não lembro.
O especial foi uma mistura de celebração e campanha de conscientização sobre a AIDS. Emocionante.
Ponto alto do show: Elton John cantando The Show Must Go On
Ponto baixo: Axl Rose cantando We Will Rock You.
Me surpreendi com o George Michael, ele cantou Somebody To Love com um vocal muito forte. De longe, muito longe, vai, lembrava o Freddie. Muito longe mesmo, mas isso já é muito bom.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Em Guarbaira haverá esse ano a segunda edição do Liseu Folia, um dos pequenos blocos da cidade formado com os poucos que não vão à Baía da Traição ou João Pessoa e que estão dispostos a pagar 20 reais. Uns não vão porque não gostam, outros, porque têm vergonha dos vizinhos.
Pois é
(Marcelo Camelo)Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver (2x)
Pois é, até
Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu consegui
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar (2x)
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Quando concluí o Ensino médio fui o orador da turma, no dia me senti o próprio Rui Barbosa. Fiz um discurso de duas páginas, e guardo ainda para que seja publicado nos meus "textos selecionados" que será lançado postumamente. Em meio às conversas e desatenções preferi meu discurso na maior e única casa de recepções da cidade. Entre outras coisas, falei que crescer, de certo modo, significa também separar. Apesar de ser um clichê de quinta, não deixa de ser verdade. E olha que nem crescemos muito no curso ainda.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Tradicionalmente, os DeMolays vendem cerveja, refrigerante e esse ano também Smirnoff Ice com o intuito de arrecadar fundos para o Capítulo. Foi um sucesso, vendemos tudo.
O melhor são os amigos. Ví uns que nem lembrava mais que existiam. É interessante e divertido ver seus amigos em um estado avançado de embreaguês. Apesar da multidão e da falta de organização quanto às barracas que ficam no meio do povo, foi divertido. No primeiro dia não teve as também tradicionais tapas da Fabiana, sem isso é o mesmo que não haver festa da luz para os DeMolays e afins.
Hoje não irei porque irei todas as outras noites pois metade da minha família vai ficar aqui em casa.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Deutsch, warum nicht?
Por algum motivo acho que aprender alemão, ao menos um pouco, me será útil no futuro. Dessa vez farei diferente, aulas nas segundas, quartas e sextas. Vou comprar um caderninho especialmente para os exercícios do curso. Quem sabe aprendo alguma coisa.

Amanhã viajarei a Barra de Santa Rosa, minha cidade. Não nasci nem me criaram por lá, mas é como se fosse. Desde novinho vou por lá. Além da família dos meus pais ser da Barra, sempre arranjei um motivo pra passar alguns dias na cidade. É o tipo de cidade que não muda, e isso é que é o charme da cidadezinha. Você passa quinze anos sem aparecer, mas quando volta está do mesmo jeito. Maravilhoso.
Dessa vez pretendo ficar dois dias, pais, namorada, primo, vamos ficar na casa do velho Liva, figura histórica da Barra. Aliás, a Barra conta com muitas figuras. Do finado Seu Irã, ao Seu Manú, Ocian Luiz, esse último conhecido em todo lugar que possa haver vida, os velhos colegas animais de árvores que ornamentam a pequena praça, essa, o maior e único cartão postal da cidade, com a tradicional igreja ao fundo. Pois é, rever os amigos, passear, ir para a famigerada boate Taí Gostei.
Taí Gostei é o nome da boate, pequenina, quente, mas também uma figura histórica. Acho que quando fundaram a cidade, um pouco antes fundaram a boate.
Enfim, espero gostar da viajem, e voltar com histórias e com o queixo doendo de tanto rir.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
...the love you take...
Depois de fazer raiva a namorada, assisti hoje à cerimônia da entrada de Sir George Martin na Hall of Fame da música inglesa. Pra quem não sabe, George Martin foi o produtor dos Beatles em todos os seus álbuns, exceto no último lançado, Let It Be, que foi o Phill Spector, um cara bizarro metido em problemas de tentativa de homicídio e outras por aí.
No final, George Martin rege uma orquestra, um coral negro, alguém que eu esqueci na guitarra, também esqueci quem estava no vocal - que estava horrível, por sinal, com direito a entradas fora do tempo e tudo o mais - e Roger Taylor, ex-baterista do Queen, logicamente, não poderia estar em outro lugar, na bateria. Me impressionou ver como o Roger Taylor está na atualidade, grisalho, careca, gordo - imagem esta que a maioria de nós está fadada a um dia ser - não lembra nem de longe o Roger Taylor do clipe de I Want to Break Free. Mas voltando à orquesta, que tinha 31 músicos, tocaram a seqüência final do Abbey Road, último trabalho em conjunto dos Beatles - o Let It Be foi um remixagem de fitas já gravadas anteriormente - com as músicas Golden Slumbers-Carry Thar Weight-The End. Lindo, se não fosse pelo vocal tosco. Me senti ouvindo o próprio CD, perfeito.
Adorei, poucas vezes tinha visto o George Martin sem ser em fotos.
E no mais, Peace and Love para todos.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Humanos?
Mas tenho medo de voltar a ser o que era antes. Assim como a democracia, a universidade sem participação não funciona. Esses dias ouvi muito colegas resmungarem que TERÃO que ir a universidade na semana de humanidades. Por falar em participação, meu primeiro trabalho foi selecionado para uma comunicação, e fala sobre a falta de participação do povo brasileiro na vida política e suas conseqüências.
Muito feliz, departamento pela primeira vez na Semana de Humanidades, minha primeira apresentação... espero que dê certo....
segunda-feira, agosto 15, 2005
Se Voltares...
Como o sândalo humilde que perfuma
o ferro do machado que lhe corta,
hei de ter a minh'alma sempre morta
mas não me vingarei de coisa alguma.
Se algum dia, perdida pela bruma,
resolveres bater à minha porta,
em vez da humilhação que desconforta
terás um leito sobre um chão de pluma.
Em troca dos desgostos que me deste,
mais carinhos terás do que tiveste
e meus beijos serão multiplicados...
Para os que voltam, pelo amor vencidos,
a vingança maior dos ofendidos
é saber abraçar os humilhados.
quarta-feira, maio 18, 2005
Cousas do mundo
Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra, o que mais chupa.
Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.
quinta-feira, maio 05, 2005
Incenso Fosse Música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Poema à boca fechada
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
quarta-feira, maio 04, 2005
Quarto soneto de meditação
Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
Desço na noite, envolto em sono; e os braços
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.
Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme
Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.
segunda-feira, abril 25, 2005
Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor
Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor
A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
segunda-feira, abril 18, 2005
Soneto
(Ao Meu Primeiro Filho Nascido Morto Com Sete Meses Incompletos)
Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral ?!...
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!...
Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisteicamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!
sexta-feira, abril 15, 2005
Adormecida
Castro Alves
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo,
E o pé descalço no tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos - beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago,
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava, ora afastava-se...
Mas quando a via despertada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"-- Ó flor, -- tu és a virgem das campinas!
Virgem! -- tu és a flor de minha vida!..."
terça-feira, abril 12, 2005
Versos íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
quarta-feira, abril 06, 2005
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
terça-feira, abril 05, 2005
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui ... além ...
Mais Este e Aquele, ou Outro e toda a gente ...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente! ...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


